Em 2022, na Bahia, 4 em cada 10 indígenas que informaram pertencer a alguma etnia grupo ou povo (de forma única ou conjunta) se declararam Pataxó: 35.291 pessoas (38,7% das declarações). A segunda etnia mais populosa no estado foi a Tupinambá, com 15.842 pessoas (17,4% ou 2 em cada 10 declarações).
A Bahia concentrava as maiores populações de Pataxó e
Tupinambá do Brasil. Segundo o Censo Demográfico, 4 em cada 10 pessoas que
se declararam indígenas na Bahia informaram pertencer a pelo
menos uma etnia, povo ou grupo: 88.417 dos 229,4 mil indígenas, ou 38,5% do
total, resultados sobre Etnias e Línguas Indígenas do Censo Demográfico
2022, divulgados pelo IBGE na última sexta-feira (24).
Estavam no estado 89,9% dos 39.276 Pataxó brasileiros, que
formam a sétima etnia mais populosa no país como um todo. Na Bahia, o número de
indígenas que se identificam como Pataxó quase triplicou entre 2010 e 2022:
cresceu 195,5%, passando de 11.942 para 35.291. Assim, a etnia que já era a
mais populosa em 2010, consolidou sua predominância.
Já entre os Tupinambá brasileiros, 68,1% moravam na Bahia,
em 2022, o que equivalia a 15.8452 das 23.265 pessoas que informaram pertencer
a essa etnia, em todo o país. Os Tupinambá formavam a 17ª etnia mais populosa
no Brasil e a que mais cresceu na Bahia, em termos percentuais. Frente a 2010,
quando somavam 2.174 indígenas e eram a quinta etnia mais populosa no estado, a
população Tupinambá baiana se multiplicou por sete, ou seja, cresceu
628,7%.
Pataxó e Tupinambá eram, em 2022, as únicas etnias indígenas
que tinham mais de 10 mil pessoas na Bahia, mas o estado também liderava
nacionalmente, com as maiores populações de Pataxó Hã-Hã-Hãe (7.033 pessoas, a
terceira mais representativa da Bahia), Kiriri (5.189 pessoas, quarta maior do
estado), Tumbalalá (3.774, quinta do estado), Pankararé (2.520, sexta do
estado), Tuxá (2.494, sétima do estado) e Kaimbé (1.771 pessoas, nona maior do
estado).
FALANTES
Embora 38,5% das pessoas indígenas
na Bahia declarem sua etnia, apenas 3,3% das que têm 2 anos ou mais
de idade, ou 7.489 em números absolutos, afirmam falar ou utilizar ao
menos uma língua indígena nos domicílios em que moram.
O percentual baiano é muito menor do que o verificado
no Brasil como um todo, onde 29,2% das pessoas indígenas de 2 anos ou
mais de idade (474.856 em números absolutos) falam pelo menos uma língua
indígena no domicílio.
A Bahia tem a quinta menor proporção de falantes de língua
indígena entre os estados, num ranking liderado por Mato Grosso
(77,5% dos indígenas falam língua indígena no domicílio), Tocantins (75,9%) e
Maranhão (72,3%). Os menores percentuais estão no Ceará (1,7%), em Sergipe
(1,9%) e em Alagoas (2,3%).
O número de falantes de língua indígena triplicou na Bahia,
entre os Censos de 2010 e 2022, passando de 2.437 para 7.498 (+207,3%),
entretanto a participação deles no total de indígenas caiu um pouco, de 4% para
3,3%.
Essa redução ocorreu apesar de o número de línguas indígenas
informadas no estado ter aumentado, de 87 para 95, no período. No Brasil como
um todo, o total de línguas indígenas informadas também cresceu entre 2010 e
2022, de 274 para 295, com avanços em quase todos os estados, com quedas apenas
no Espírito Santo (de 42 para 36) e em Sergipe (de 24 para 17 línguas indígenas
informadas).
A Bahia tinha, em 2022, o quinto maior número de línguas
indígenas (era o terceiro em 2010), num ranking liderado por Amazonas (165
línguas), São Paulo (130) e Pará (126).
Ainda que tenham sido registradas 96 línguas indígenas na
Bahia, em 2022 apenas as 5 mais informadas já concentravam 8 de cada 10
falantes do estado: 6.355 ou 84,9% dos 7.489 indígenas que falavam ou
utilizavam língua indígena no domicílio.
A língua Pataxó tinha o maior número de falantes:
4.607 ou 61,5% de todas as pessoas que usavam alguma língua indígena, na Bahia.
Em segundo lugar, seguindo a ordem das etnias, mas já bem distante da Pataxó,
vinha a língua Tupinambá, com 1.019 falantes (13,6% do total do
estado).
A língua Kipéa ficava na terceira posição, com 310 falantes (4,1% do total). Da família Kariri, a língua Kipéa é associada à etnia Kiriri e não havia sido informada no Censo 2010, tendo sido considerada extinta. No Censo 2022, porém, foram registrados 359 indígenas falantes de Kipéa no Brasil, 310 deles (86,4%) na Bahia. Desses, 293 (94,5% dos falantes baianos de Kipéa) estavam na Terra Indígena Kiriri, em Banzaê, Nordeste do estado.
