Aos 19 anos, Davi Rocha transformou a própria história em um exemplo de como a educação pública pode abrir caminhos e transformar vidas. Egresso do Colégio Estadual Professora Nadir Araújo Copque, em Arembepe, no município de Camaçari, o estudante ficou em primeiro lugar na modalidade LI-EP, que garante uma vaga no curso de Medicina, o mais concorrido da Universidade Federal da Bahia (UFBA), para estudantes oriundos de escola pública, independentemente de renda familiar.
Filho de um soldador e de uma baiana de acarajé, Davi
acompanhou de perto a rotina de trabalho dos pais, aprendendo, desde cedo, o
valor da resistência e do trabalho.
O estudante concluiu o Ensino Médio em 2024 e guarda
recordações de professores que sempre o apoiaram. Naquele ano, sua nota no
Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) não foi suficiente para passar em
Medicina. Ele persistiu e, com a base adquirida na escola, estudou sozinho
durante todo o ano de 2025, alcançando a nota que lhe garantiu a vaga tão
sonhada no Sistema de Seleção Unificada (SISU) de 2026.
O interesse pela Medicina nasceu ainda na escola e foi
alimentado pelo gosto pelos estudos e por um desejo de evolução constante.
“Queria uma profissão que me desafiasse e me fizesse evoluir sempre. A Medicina
me motiva a estudar, pesquisar e ir além”, afirmou.
A rotina disciplinada incluiu estudo diário, prática de
atividades físicas para manter o equilíbrio emocional e apoio constante à
família. Nos fins de semana, Davi ajudava os pais na venda de acarajé, em
Arembepe. Experiência que reforçou a responsabilidade e a determinação para
seguir firme no objetivo acadêmico.
Na escola, o comprometimento sempre foi evidente. A diretora
Guilhermina Silva Souza destaca a trajetória do então aluno. “Davi sempre foi
dedicado e tranquilo. A aprovação em Medicina, um curso tão concorrido, reflete
o esforço pessoal, o apoio familiar e o trabalho da escola pública, que forma
jovens capazes de transformar a própria realidade e a da comunidade”,
ressaltou.
