Com o recuo de 28,2% no volume embarcado, principalmente do setor agropecuário fruto de preços abaixo do esperado pelos produtores, impactando rendimento e produção, as exportações baianas fecharam janeiro de 2026 com vendas de US$ 607,9 milhões, menor valor para o mês desde 2018. As informações foram analisadas pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia vinculada à Secretaria de Planejamento (Seplan), a partir da base de dados da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Os destaques positivos das exportações em janeiro ficaram
com o setor de metais preciosos, puxado pela valorização do ouro que já
supera US$ 4.950 por onça-troy, para contratos futuros com entrega em
abril. Os metais preciosos, como um todo tiveram forte altas no começo deste
ano, renovando recordes de fechamento sucessivas vezes, à medida que
investidores correram para o ouro e a prata como um refúgio diante de
incertezas geopolíticas. O setor registrou crescimento de 70,3% (US$ 110,7
milhões), com forte valorização em relação a janeiro do ano passado.
Outro setor que teve crescimento em janeiro foi o de frutas
e suas preparações com vendas de US$ 11,9 milhões, 35% acima do mesmo mês de
2025, beneficiadas pelo aumento dos embarques em 27,3% gerado pela sazonalidade
e conseqüente aumento dos preços, além da normalização tarifária aos EUA.
Já o desempenho negativo foi puxado pelo setor de refino
(queda de 57,3%, nas vendas de derivados de petróleo); de produtos
agropecuários com recuo de 30,2%, principalmente algodão e café e pelo setor
químico que caiu 23,6%, que continua penalizado pela competição do mercado
internacional. A indústria de transformação registrou queda de 23,7% nos
embarques e de 19,5% nos valores exportados em janeiro comparados ao mesmo mês
do ano passado.
A indústria extrativa, embora represente menor participação
nas exportações estaduais, tiveram em janeiro os piores indicadores de
desempenho dentre os agregados: queda de 78,3% no volume embarcado e de 90,9%
nos valores exportados. Isso ocorreu pela ausência de embarques dos principais
produtos do setor (minério de cobre e níquel), ao contrário de igual mês do ano
anterior.
Considerando os parceiros comerciais, janeiro manteve as
tendências observadas a partir do tarifaço americano, com redução de 29,6% e de
5,3% no valor e no volume das exportações aos Estados Unidos. As exportações à
China, principal mercado para as vendas externas baianas, também recuaram 5,6%,
entretanto o volume embarcado cresceu 11% refletindo aumento de market share,
principalmente do agro nacional, que ocupou vácuo do agro americano em meio às
tensões com a China.
IMPORTAÇÕES
As importações baianas em janeiro, embora em menor
intensidade, também registraram recuo de 8,7% ante o mesmo mês de 2025,
totalizando US$ 806,2 milhões. As compras externas no mês passado superaram as
exportações, gerando um déficit comercial para o estado em US$ 198,2 milhões.
Houve queda nas importações de bens intermediários (-38,5%)
- a categoria representa na média, mais de 55% de tudo o que a Bahia importa, e
de bens de capital (-5,9%). As compras de bens de consumo seguem com forte alta
(981,4%), impulsionadas principalmente pela importação de veículos. Depois de
meses no vermelho, o setor de combustíveis teve alta de 6,4%.
O arrefecimento da atividade econômica diante do nível elevado dos juros no país tem levado a uma redução da demanda do setor produtivo, fator que explica o recuo das importações, principalmente de bens intermediários e de capital.
