O aumento dos casos de câncer colorretal entre adultos mais jovens tem preocupado especialistas em todo o mundo e reforça a importância da prevenção. Em um contexto que coincide com o Dia do Endoscopista, celebrado em 25 de julho, a data chama atenção para o papel desse profissional na realização da colonoscopia, exame considerado a principal ferramenta para prevenir esse tipo de câncer.
No Brasil, o câncer colorretal está entre os tipos mais
incidentes. De acordo com a Estimativa 2026–2028 do Instituto Nacional de
Câncer (INCA), o país deverá registrar 53.810 novos casos de câncer de cólon e
reto por ano, sendo 26.270 em homens e 27.540 em mulheres. Excluídos os tumores
de pele não melanoma, a doença ocupa a terceira posição entre os cânceres mais
frequentes no Brasil, reforçando a importância do diagnóstico precoce e das
estratégias de prevenção
Além da alta incidência, estudos internacionais mostram uma mudança no perfil da doença. Dados divulgados pela American Cancer Society (ACS) apontam que pessoas nascidas por volta de 1990 apresentam aproximadamente o dobro do risco de desenvolver câncer de cólon e quatro vezes mais risco de câncer de reto quando comparadas às nascidas na década de 1950.
Para o endoscopista Dr. Victor Galvão, esse cenário exige
uma mudança de comportamento da população e maior atenção aos sinais de alerta.
"O câncer de intestino ainda é mais frequente após os
50 anos, mas temos observado um aumento importante entre pacientes mais jovens.
Isso reforça a necessidade de conhecer os fatores de risco, procurar
assistência diante de sintomas e, principalmente, investir na prevenção."
Um dos principais aliados nesse processo é a colonoscopia.
Além de diagnosticar lesões precoces, o exame permite identificar e retirar
pólipos intestinais, estruturas benignas que podem evoluir para câncer ao longo
dos anos.
"A colonoscopia é diferente da maioria dos exames
porque ela não apenas identifica a doença. Ela permite interromper esse
processo antes que o câncer se desenvolva. Ao remover um pólipo, reduzimos
significativamente o risco de que aquela lesão evolua para um tumor
maligno", explica o especialista.
Diante do crescimento da doença em pessoas mais jovens,
importantes entidades médicas internacionais, como a U.S. Preventive Services
Task Force (USPSTF) e a American Cancer Society, passaram a recomendar que
pessoas com risco habitual iniciem o rastreamento do câncer colorretal a partir
dos 45 anos, mesmo sem apresentar sintomas.
Segundo Dr. Victor Galvão, a recomendação representa um
avanço importante na prevenção.
"Antecipar o rastreamento significa aumentar as chances
de encontrar lesões ainda na fase inicial ou até mesmo antes de elas se
transformarem em câncer. Essa é uma estratégia que salva vidas."
Quem deve fazer colonoscopia antes dos 45 anos?
Embora a idade de 45 anos seja hoje a recomendação para pessoas sem fatores de risco, alguns grupos precisam iniciar o acompanhamento mais cedo. É o caso de quem possui histórico familiar de câncer colorretal ou pólipos avançados, doenças inflamatórias intestinais, síndromes hereditárias relacionadas ao câncer de intestino ou apresenta sintomas sugestivos da doença.
Entre os principais sinais de alerta estão sangue nas fezes,
alteração persistente do hábito intestinal, anemia sem causa aparente, perda de
peso inexplicada, dor abdominal recorrente e sensação de evacuação incompleta.
"Nenhum desses sintomas deve ser considerado normal,
principalmente quando persistem por várias semanas. Quanto mais cedo
investigamos, maiores são as chances de tratamento e cura", destaca Dr.
Victor Galvão.
O especialista também ressalta que, apesar do aumento dos
casos em adultos jovens, a prevenção continua sendo a principal estratégia para
reduzir a mortalidade pelo câncer colorretal.
"Hoje dispomos de recursos que permitem identificar lesões muito precoces e tratá-las por via endoscópica, muitas vezes evitando cirurgias mais complexas. A informação e o diagnóstico precoce continuam sendo nossas maiores ferramentas."
