Feira de Santana deu, na última quinta-feira (10), o pontapé inicial para a implantação de uma nova ferramenta inteligente voltada ao controle das arboviroses, o método Wolbachia. A estratégia desenvolvida para reduzir a transmissão da dengue, chikungunya e zika foi apresentada durante encontro realizado na Secretaria Municipal de Saúde (SMS), que reuniu representantes do Ministério da Saúde, da Fiocruz e profissionais da rede municipal.
O método Wolbachia consiste na liberação de mosquitos Aedes
aegypti infectados com a bactéria wolbachia, que reduz significativamente a
capacidade do inseto de transmitir os vírus causadores das arboviroses.
Trata-se de uma estratégia segura, que não envolve modificação genética e
apresenta efeito sustentável ao longo do tempo, após o estabelecimento da
bactéria na população de mosquitos.
A implantação no município será realizada de forma gradual,
com apresentação da estratégia, preparação e capacitação das equipes,
mobilização da comunidade e adequação dos espaços que serão utilizados no
projeto.
O cronograma de implementação está previsto para durar 12
meses e contempla desde a preparação das equipes até a liberação dos chamados
wolbitos — mosquitos com a bactéria Wolbachia — e o posterior monitoramento em
campo.
Para o secretário municipal de Saúde, Rodrigo Matos, a
chegada da estratégia representa o fortalecimento das ações já desenvolvidas
pelo município no enfrentamento às arboviroses.
“Feira de Santana é uma cidade estratégica, não apenas pela
sua importância na Bahia, mas também por ser um dos principais entroncamentos
rodoviários do Norte e Nordeste, com grande circulação de pessoas. A gestão
municipal tem abraçado iniciativas como essa e mantido uma relação
institucional muito positiva com o Ministério da Saúde. Estamos à disposição
para construir juntos e fazer com que esse projeto seja implantado e produza
resultados efetivos para a população”, destacou.
Preparação e mobilização
A primeira fase do projeto será dedicada ao engajamento
comunitário e à adaptação dos espaços, com duração estimada de três meses.
Nesse período, profissionais da Secretaria Municipal de Saúde serão capacitados
para atuar na mobilização e orientação da população sobre o funcionamento da
estratégia.
A diretora da Rede Própria à Saúde, Verena Leal, destacou a
importância da integração entre as diferentes áreas da rede municipal para
garantir uma implantação organizada.
”Iniciativas que somam ao trabalho que o município já
realiza são sempre bem vindas. São ações que vão fortalecer o combate as
Arboviroses em nossa cidade. Estamos a disposição para contribuir na
implantação e execução desse projeto”, afirmou.
Após a fase inicial, terá início a liberação dos wolbitos,
prevista para ocorrer durante seis meses. Os mosquitos que carregam a Wolbachia
serão liberados de forma planejada, permitindo que a bactéria se estabeleça na
população de Aedes aegypti existente no território.
Na etapa seguinte, o município realizará o monitoramento por
meio de ovitrampas, equipamentos utilizados para acompanhar a presença e a
evolução do mosquito. O objetivo será verificar o estabelecimento da Wolbachia
em campo e acompanhar os resultados da estratégia.
Tecnologia integrada ao Inova Feira
A implantação do método Wolbachia também se soma às
iniciativas de inovação desenvolvidas pelo município. Entre elas está o projeto
Inova Feira, que utiliza Inteligência Artificial (IA) para realizar a contagem
automatizada de ovos do mosquito a partir do monitoramento das ovitrampas.
A tecnologia contribui para ampliar a precisão na análise das informações coletadas em campo e permite um direcionamento mais eficiente das ações de vigilância e controle do Aedes aegypti.
