Todas as atenções se voltam para a família em dezembro, com a chegada do Natal e do Ano Novo. O último mês do ano traz sabor de reunião familiar, aconchego e muita troca de afeto. Para as mulheres que empreendem e lideram seus lares, o desafio é constante. De acordo com a 2ª edição da pesquisa do Sebrae “Maternidade e Negócios: a força das mães empreendedoras baianas”, lançada este ano, 42% das mães empreendedoras são chefes de domicílio e 32% fazem tudo sozinhas para manter os cuidados com a casa e os filhos.
O estudo revela que, para 37% das empreendedoras que chefiam
famílias, trabalhar com o que gosta ou realizar um sonho foi o principal motivo
que as levou ao empreendedorismo; e 60% das mães empreendedoras dedicam, em
média, até 45 horas por semana ao negócio. O levantamento mostra, ainda, que
51% das respondentes indicaram que não possuem nenhuma outra fonte de renda. E
mais, de acordo com o IBGE, as mulheres representam 35% do total de donos de
negócios na Bahia, e desse grupo, 79% são mulheres negras. Esses números
evidenciam a força do empreendedorismo feminino no estado.
Conciliar o papel de mãe, dona de casa e ser empreendedora é
um desafio real. A coordenadora estadual do Programa Sebrae Delas na Bahia,
Rosângela Gonçalves, aponta que para resolver essa questão não existe fórmula
exata, mas oferece algumas sugestões que auxiliam a enfrentar esse desafio.
“Esse é um fenômeno muito comum no empreendedorismo feminino, que é a economia
do cuidado. Por conta disso, as mulheres dedicam menos tempo aos negócios e com
isso a competitividade do negócio se mostra mais vulnerável”, explica.
Como primeira dica, a gestora aponta que a empreendedora
deve assimilar que não tem a obrigatoriedade de dar conta de tudo. “As mulheres
devem escolher as prioridades de cada fase de suas vidas. Em alguns momentos o
negócio irá exigir mais, em outros a família irá exigir mais delas. Isso não
significa fracasso, mas sim que ela está utilizando uma estratégia”, aponta.
Rosângela Gonçalves também frisa que é importante ser flexível para encarar as
rotinas do dia a dia. “Um bom exemplo é aproveitar o tempo em que os filhos
dormem para realizar algo na empresa. Usar as ferramentas de gestão de tempo é
fundamental”, aconselha, lembrando que saber delegar evita o acúmulo de tarefas
e otimiza a gestão do negócio.
A CEO da Rainha Extraordinária – empresa de treinamento
comportamental -, Sumaya Laís Lima Machado, é especialista em autoimagem,
solteira e tem um filho de 11 anos, que fica com o pai a cada 15 dias. Ao se
autoanalisar, é enfática em dizer que sente o peso da cobrança da sociedade,
mas, sobretudo, admite que se cobra bastante, não apenas com relação à empresa,
mas também no que diz respeito à criação do filho, Caio Victor. “A gente quer
que o filho dê certo na escola. Se vem com nota baixa a gente não se sente boa
o suficiente como mãe”, reflete.
Sumaya Machado diz que tem atuado muito no modo “guerreira”, mas na verdade quer ocupar a posição de “rainha”. “O pai do meu filho nunca levou ele ao médico, nem em atendimento de emergência, nem quando ele teve que se submeter a uma cirurgia, e com isso tudo eu me sinto sobrecarregada. Não ter um homem presente para compartilhar a vida é desafiador”, diz e completa: “Quando a mulher está empreendendo, começa a ser bem sucedida e soluciona a própria vida, alguns homens se assustam e se afastam”.
