Mesmo com a redução parcial do tarifaço imposto às exportações pelos Estados Unidos e ainda sob o efeito de preços mais baixos de commodities importantes na pauta estadual, as exportações da Bahia registraram queda de 18,7% em novembro, no comparativo interanual, alcançando US$ 839,5 milhões. O volume embarcado também pesou no desempenho negativo, com queda de 23,7% na mesma comparação, resultado das incertezas na economia mundial causadas pela política comercial americana e a guerra comercial com a China, o que tem levado aos agentes econômicos a reduzir investimentos e consumo.
As informações foram analisadas pela Superintendência de
Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia vinculada à Secretaria
de Planejamento (Seplan), a partir da base de dados da Secretaria de Comércio
Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços
(MDIC).
No ano, as exportações baianas atingiram US$ 10,51 bilhões
(-3,9%), e importações de US$ 8,70 bilhões (-13,6%). O saldo no período foi
positivo em US$ 1,81 bilhão (+108,6%) e a corrente de comércio chegou a US$
19,22 bilhões, com queda de 8,5%, todos comparados a igual período de 2024.
O desempenho das vendas externas baianas no ano esteve
condicionado à evolução da demanda global e ao comportamento recorde da safra
agrícola, em um ambiente de exportações menos disseminadas, fruto do aumento
das incertezas no cenário econômico externo.
Em novembro, todos os setores tiveram redução de vendas. O
setor agropecuário teve a menor queda (-11,8%), seguido pela indústria de
transformação (-22%) e pela indústria extrativa com baixa de 42,7%.
As vendas para a China continuaram na liderança em novembro,
com US$ 296,6 milhões, mas apresentaram redução de 11,6%, no comparativo
interanual. O Canadá continua surpreendendo e ocupou a segunda posição com
vendas de US$ 125,6 milhões, 46,6% acima de igual mês de 2024, com destaque
para as compras de ouro, minério de níquel, ferro ligas, derivados de cacau e
pneus. As vendas aos Estados Unidos tiveram queda pelo terceiro mês consecutivo
(-32,1%). No ano, até novembro, a redução é de 6,1%.
A queda nas vendas externas aos norte-americanos em
novembro, porém, foi menor do que a observada em outubro deste ano, quando as
exportações baianas despencaram 60,5% (comparação com o mesmo mês de 2024).
A redução nas vendas aos EUA aconteceu em um mês no qual o
país retirou parte do tarifaço imposto ao Brasil. O anúncio, porém, foi feito
somente no dia 20 do mês passado, quando foi retirada a sobretaxa de 50% às
vendas de café, derivados de cacau, frutas e outros produtos exportados pela
Bahia ao país. Foram duas decisões do governo americano: a primeira delas, no
dia 14/11, retirou a tarifa recíproca de 10%, imposta em abril, para cerca de
200 produtos alimentícios de diversos países; a segunda, em 20/11, foi
direcionada ao Brasil, e suspendeu a sobretaxa de 40%, anunciada em julho, para
mais de 200 produtos, que foram acrescentados à lista anterior de quase 700
exceções ao tarifaço.
IMPORTAÇÕES
As importações somaram US$ 630,2 milhões – menor valor do
ano, com queda de 20%. As compras de combustíveis permanecem em queda acentuada
(-41,2%) contribuindo negativamente, pelo terceiro mês consecutivo, para o
desempenho geral do mês. No ano, a redução alcança 42,5% comparado a igual
período do ano anterior.
Os bens intermediários também acusaram recuo em novembro de
25,1%, refletindo o baixo crescimento da produção industrial do estado, que
cresceu apenas 1% no ano até setembro. As compras de bens de capital também
caíram 12,8%, não repetindo o crescimento registrado no mês de outubro. Já as
de bens de consumo continuam batendo recordes de crescimento, 534,6% no mês
passado, impulsionadas principalmente pela importação de veículos, mas também
de frutas, calçados e bacalhau, dentre os mais importantes.
No acumulado até novembro, o cenário se repete com as
importações em menor ritmo, com recuo de 13,6%, no comparativo interanual,
exclusivamente pela redução nas compras de combustíveis (-42,5%). As compras de
bens intermediários (insumos e matérias primas) acusam estabilidade (+0,78%).
Já os bens de consumo, avançaram 170,3% e os bens de capital (máquinas e
equipamentos), 61,9%.
Os EUA foram ultrapassados pela China como principal país
fornecedor do estado, em novembro. As compras do país asiático somaram US$
163,8 milhões no mês passado, com crescimento de 30,8% e participação de 26%.
No ano, os EUA ainda permanecem na liderança com desembolsos de US$ 2,5 bilhões, o correspondente a 28,7% das importações estaduais em 2025. A China vem em seguida com crescimento de 62,6% (US$ 1,48 bilhão) e participação de 17%.
