O estoque do Banco de Leite Humano do Hospital Inácia Pinto dos Santos — o Hospital da Mulher — está abaixo do necessário e preocupa a direção da unidade. A baixa quantidade de leite materno compromete o atendimento de bebês internados nos berçários e na UTI Neonatal, que não podem receber o alimento diretamente de suas mães.
A diretora-presidente da Fundação Hospitalar, Gilberte
Lucas, que administra a unidade de saúde, reconhece a gravidade da situação e
demonstra preocupação com o cenário atual.
“Estamos com o estoque de leite materno muito abaixo do
esperado. Nós temos o certificado Padrão Ouro, pelo cuidado que temos com as
nossas crianças. É preocupante, porque hoje temos 23 bebês internados na UTI
Neonatal e nos berçários do Complexo Materno Infantil do Hospital da Mulher,
que precisam, de hora em hora, do leite materno”, ressaltou.
De acordo com a coordenadora do Banco de Leite Humano do
HIPS, Nadja Vieira, mesmo com diversas ações de incentivo às doações, o período
entre dezembro e fevereiro registra queda significativa no volume arrecadado,
em razão das férias.
“Estamos sem estoque. Atualmente, o Banco de Leite Humano do
Hospital da Mulher mantém cerca de 70 litros de leite, uma quantidade reduzida
se comparada ao consumo mensal, que é de aproximadamente 90 litros para
alimentar, de três em três horas, os 23 bebês internados nos berçários e na UTI
Neonatal”, explicou.
Nadja Vieira destaca que o banco de leite conta com doações
de mães que permanecem internadas enquanto seus bebês recebem tratamento na
UTI, além das doações externas, realizadas por meio de visitas domiciliares com
o apoio das Guarnições do Corpo de Bombeiros Militar (GBMs).
“Essa parceria com o Corpo de Bombeiros é fundamental, pois
possibilita as visitas domiciliares com frequência. Por isso, pedimos às mães
que têm leite excedente que entrem em contato com o Banco de Leite Humano pelos
telefones (75) 3602-7156 ou 3602-7100. Nós agendamos a visita e fazemos a
coleta”, orientou.
O leite materno é considerado o alimento ideal e exclusivo
para bebês até os seis meses de vida, sendo recomendado de forma complementar
até os dois anos ou mais. A coordenadora faz ainda um comparativo com o ano
passado, quando, no mesmo período, foi necessário adquirir um novo freezer para
armazenar o excedente de doações.
“Este ano, estamos com o estoque em nível crítico.
Precisamos de ajuda urgente para salvar vidas”, alertou.
Mesmo com três novos cadastros de mães doadoras realizados
apenas na última semana, Nadja Vieira reforça que a quantidade ainda é
insuficiente para suprir a demanda.
“Ajudou a reduzir um pouco a urgência, mas ainda é muito
pouco. Precisamos de mais doações. Pedimos às mães que amamentam que não
desperdicem o leite excedente. Doem ao banco de leite. Doar leite é doar vida”,
reforçou.
Os profissionais do Banco de Leite Humano do Hospital da
Mulher realizam visitas diárias, todas as manhãs, às enfermarias para orientar
as puérperas sobre a pega correta e fornecer informações essenciais sobre a
chamada “alimentação ouro”. A recomendação é que a amamentação seja realizada
de forma exclusiva, a cada hora consecutiva, sem o uso de chupetas ou
mamadeiras.
A técnica de enfermagem Irenací Mendes da Silva, de 57 anos,
atua há quatro anos no atendimento às mães que enfrentam dificuldades para
amamentar no Hospital da Mulher.
“É muito importante ajudar as mães que não conseguem
amamentar e se desesperam ao ver o bebê chorar sem conseguir alimentá-lo. Isso
é muito comum entre as mães de primeira viagem. Aqui, realizamos todo o
acompanhamento da mãe e do bebê, estimulamos a pega, fazemos massagens na boca
do bebê e no peito da mãe até conseguirmos a amamentação”, explicou.
Segundo a profissional, a posição correta do bebê é
essencial para o sucesso da amamentação.
“É necessário que o bebê abocanhe a maior parte do mamilo e
da aréola, facilitando a sucção. Quanto mais o bebê suga, mais a produção de
leite é estimulada”, acrescentou.
A balconista Marcele Santos Cruz, de 21 anos, moradora do
bairro Jardim Cruzeiro, está internada há dois dias após dar à luz sua primeira
filha, Maria Júlia, nascida de parto normal, pesando 3,2 kg. Ela relata que a
amamentação não foi tão simples quanto imaginava.
“Tive dificuldades logo após o nascimento. A pega estava
difícil e precisei de orientação para conseguir alimentar minha filha. Recebi
todo o apoio do Banco de Leite, e isso foi maravilhoso. Olha só, ela até dormiu
agora”, disse emocionada.
O Hospital da Mulher reforça o apelo para que mães com leite excedente façam a doação e ajudem a garantir a alimentação e a sobrevivência dos recém-nascidos que dependem do Banco de Leite Humano.
