O ano de 2025 encerrou com mais de 3 mil ocorrências registradas na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) de Feira de Santana, segundo informações da delegada titular Lorena Almeida. Em entrevista ao Municípios News, a policial afirmou que em comparação com os anos anteriores, 2024 e 2023, os números são parecidos.
“Nós estamos observando a nível nacional, de fato, um
aumento do número de feminicídios. Então, muitas mulheres vêm sendo vítimas por
parte de companheiros, de ex-companheiros. E essa é uma temática que precisa
ser muito debatida ainda. A gente precisa entender quais são as causas desse
aumento de feminicídios e o que a sociedade como um todo, não só os órgãos
estatais, mas toda a população, pode fazer para evitar esse crescimento de
feminicídios”, comentou a autoridade policial.
Lorena Almeida ainda salientou a importância da rede de proteção
as mulheres no município, composta pela Polícia Civil, através da DEAM, Polícia
Militar através da Ronda Maria da Penha, Ministério Público, Secretaria de
Políticas para as Mulheres, Centro de Referência, Defensoria Pública e Poder
Judiciário. “É uma rede muito forte. Então todos unidos para proteger as
vítimas de violência doméstica. Então vamos buscar formas de barrar o
crescimento desses números aqui em Feira de Santana também. Infelizmente quando
crimes acontecem de grande repercussão nacional, infelizmente isso acaba
motivando e estimulando o aumento em todos os lugares”, disse.
Lorena ainda ressaltou a necessidade da sociedade adotar uma postura contra a violência doméstica e feminicídio. “O que a gente tem observado também que muitos discursos machistas e de menosprezo à condição de mulher têm sido fortalecidos a nível nacional, a nível mundial. E hoje, com as redes sociais, esses discursos ganham força. A gente tem observado muitos discursos que têm fortalecido a ideia de que a mulher não possa ter independência, de que a mulher é propriedade do homem. E isso tudo pode parecer muito inocente quando é dito ali em uma rede social, mas todos esses discursos fomentam uma sociedade que pratica muitos feminicídios. Então a gente precisa, nós todos, órgãos estatais e sociedade, protestar, lutar e se indignar contra todo tipo de violência contra a mulher. E não só protestar contra o feminicídio. Se a gente fala que é contra o feminicídio, mas a gente valida atos de violência psicológica, atos de violência moral, a gente infelizmente vai estar fazendo com que a vítima se mantenha dentro de um ciclo”, resumiu.
