O Tribunal do Júri realizado na terça-feira (13) no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador, condenou dois homens pelo assassinato da ialorixá e líder quilombola Maria Bernadete Pacífico Moreira, conhecida como “Mãe Bernadete”. Foram condenados o executor do crime, Arielson da Conceição Santos, a 40 anos, 5 meses e 22 dias de prisão, e o mandante, Marílio dos Santos, a 29 anos e 9 meses de prisão. Eles foram condenados pelo homicídio qualificado, cometido por motivo torpe, com emprego de meio cruel, mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima e com uso de arma de uso restrito. A acusação foi sustentada no júri pelos promotores de Justiça Raimundo Moinhos e Felipe Pazzola.
Na sentença, a juíza Gelzi Maria Almeida Souza Matos manteve a prisão
preventiva de Arielson. Já em relação a Marílio, foi expedido mandado de
prisão, que segue pendente de cumprimento. Durante o julgamento, a atuação
do Ministério Público destacou a articulação criminosa e a motivação do
assassinato, vinculada à atuação de Mãe Bernadete contra a expansão do tráfico
de drogas no Quilombo Pitanga dos Palmares, localizado no município de Simões
Filho, na Região Metropolitana de Salvador.
‘Desde a etapa de produção da prova até a chegada no julgamento, que iniciou no
dia de ontem, o Ministério Público sempre esteve confiante pelo trabalho de
investigação de excelência feita pela Polícia Civil do Estado da Bahia e pela
atuação dos promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações
Criminosas (Gaeco), que também participaram de toda a instrução desse processo.
E uma sensação de dever cumprido, de ter o Ministério Público atuado
efetivamente pela defesa da vida e de termos conseguido a justiça que Mãe
Bernadette e a família merece’, destacou o promotor de Justiça Raimundo Moinhos.
Ele complementou que ‘todos os crimes impostos aos acusados foram reconhecidos
pelo Conselho de Sentença e, portanto, houve a realização de justiça de forma
completa. As penas, efetivamente, são condizentes e proporcionais à
responsabilidade de cada um e, portanto, o Ministério Público sente-se com a
sensação de que realmente tudo transcorreu dentro do devido processo legal’,
ressaltou.
Para o filho de Mãe Bernardete, Jurandir Pacifico, ‘foram
dois dias cansativos, mas o que fica e a sensação da justiça sendo feita. Foi
doloroso, um crime tão brutal que abalou não só a Bahia, mas o Brasil e o
mundo. A defesa, como sempre, tentando defender o indefensável. Mas a gente tem
que ter discernimento para ouvir e não absorver tudo isso. No final deu tudo
certo. Se fez justiça’, destacou. Mae Bernardete foi executada no dia 17 de
agosto de 2023, dentro de sua residência, na sede da associação quilombola.
Segundo as investigações da ‘Operação Pacific’, realizadas pela Polícia Civil
com apoio do Gaeco e da 7ª Promotoria de Justiça de Simões Filho, a líder
religiosa foi alvejada com 25 tiros de arma de fogo em várias partes do corpo,
dentro da própria casa, onde estavam três netos dela, de 12, 13 e 18 anos. Ela
foi executada por se posicionar de maneira firme contra a expansão do tráfico
no Quilombo e pela retirada da barraca de propriedade de Marílio dos Santos,
conhecido como “Maquinista”, que era usada para comércio de drogas.
As investigações apontaram que o crime foi motivado pela oposição firme da
vítima às atividades ilícitas na comunidade, especialmente à instalação de
pontos de venda de drogas e ocupação irregular de áreas, o que gerou conflitos
com integrantes de organização criminosa atuante na região.
Outros três denunciados, Sérgio Ferreira de Jesus, Josevan Dionísio dos Santos
e Ydney Carlos dos Santos de Jesus, ainda serão submetidos a julgamento.
