As doenças cardiovasculares seguem como a principal causa de morte e internação no Brasil, e diante desse cenário, o Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA), em Feira de Santana, implantou um novo protocolo para atendimento ao Infarto Agudo do Miocárdio (IAM), com metas rigorosas de tempo e padronização do fluxo assistencial. A iniciativa, coordenada pelos médicos Dr. Bruno Passos e Alexandre Cedro, também inclui a criação do Registro de Infarto do HGCA (RIHCA), ferramenta estratégica para monitoramento e qualificação contínua da assistência.
“O HGCA é o hospital de alta complexidade responsável pelo
atendimento dos infartos com terapia trombolítica. Assim sendo, foi criado o
RIHCA com o intuito de gerenciar o protocolo de infarto, otimizando o
atendimento e garantindo melhor assistência aos pacientes”, explica o
coordenador da emergência Bruno Passos.
O novo protocolo estabelece uma linha de cuidado estruturada
desde a chegada do paciente à unidade. A prioridade é o reconhecimento precoce
da dor torácica, principal sintoma do infarto, com envolvimento de toda a
equipe, incluindo setores assistenciais e de apoio.
“Para que tenhamos os resultados esperados, necessitamos que
toda a equipe esteja engajada e atenta aos pacientes que chegarem com dor
torácica, que terão prioridade no atendimento. Isso envolve desde a recepção e
vigilantes, até o transporte pelos maqueiros, classificação de risco,
realização de exames e encaminhamento imediato à sala vermelha”, destaca Dr.
Alexandre Cedro (cardiologista).
Entre os principais avanços estão as metas assistenciais
alinhadas a padrões internacionais de qualidade. O protocolo define que o tempo
entre a chegada do paciente e a realização do eletrocardiograma, conhecido como
tempo porta-ECG, deve ser de até 10 minutos. Já o tempo porta-agulha, que
corresponde ao início da terapia trombolítica, deve ocorrer em até 30 minutos.
“Quanto mais rápido for realizada a trombólise, maior a
chance de reperfusão do tecido cardíaco, reduzindo a morbimortalidade e
garantindo mais qualidade de vida aos pacientes”, afirma o cardiologista.
Embora a maior parte dos atendimentos ocorra na emergência,
especialmente nas áreas de classificação de risco e sala vermelha, o protocolo
foi desenhado para ser aplicado em toda a unidade, considerando que quadros de
dor torácica podem surgir em qualquer ambiente hospitalar.
“Toda a equipe deve ter conhecimento do protocolo, pois
qualquer paciente ou até mesmo funcionário pode iniciar um quadro de dor
torácica dentro do hospital, e o fluxo precisa ser seguido. O grupo RIHCA, com
apoio das diretorias, vem realizando orientações e também fará o treinamento
das equipes”, pontua Dr. Alexandre.
Além da assistência imediata, o protocolo prevê o
acompanhamento completo da jornada do paciente, desde a entrada na unidade até
o tratamento definitivo. O sistema inclui o monitoramento de indicadores como
tempo de atendimento, realização da trombólise, possíveis complicações,
regulação para cateterismo cardíaco e definição terapêutica, seja
medicamentosa, angioplastia ou cirurgia.
“Com o gerenciamento do protocolo, teremos um banco de dados robusto, constantemente alimentado e revisado, com o objetivo de qualificar cada vez mais o atendimento ao paciente com infarto”, conclui Dr. Bruno Passos.
