O avanço das investigações da Operação Vento Norte resultou,
na quarta-feira (8), no cumprimento de 12 mandados de prisão e oito mandados
de busca e apreensão nos municípios de Eunápolis, Guaratinga e Itagimirim, no
sul da Bahia. Foram sete prisões temporárias realizadas nos bairros Pequi, Juca
Rosa e Sapucaieira, em Eunápolis, e nos bairros Centro e Novo Horizonte, em
Guaratinga.
Outros cinco mandados de prisão foram cumpridos no sistema
prisional, sendo dois no estado do Espírito Santo, um em Minas Gerais, um no
Rio de Janeiro e um na Bahia, onde os investigados já se encontravam
custodiados.
Entre os presos está um vereador de 38 anos, do município de
Guaratinga, que também foi autuado em flagrante por posse ilegal de arma de
fogo. O investigado é apontado como integrante de organização criminosa ligada
ao tráfico de drogas, com atuação na região sul do estado. Segundo informações,
trata-se do presidente da Câmara de Vereadores de Guaratinga, Paulo Chiclete
(PSD). A defesa do político já se manifestou sobre a prisão. O jurídico do
parlamentar afirma que “ele é inocente e está à total disposição da Justiça
para prestar todos os esclarecimentos necessários. O caso ocorre em um momento
sensível para o município: a chegada de uma precatória milionária, com valores
que ultrapassam R$ 26 milhões já nesta primeira etapa.” [ver nota completa
abaixo]
Ainda segundo a Polícia, as diligências também resultaram no
cumprimento de oito mandados de busca e apreensão domiciliar, ocasião em que
foram apreendidos uma pistola, aparelhos celulares e documentos que irão
subsidiar o aprofundamento das investigações.
A ação é um desdobramento da operação deflagrada pela
Polícia Civil da Bahia, em atuação integrada com o Ministério Público do Estado
da Bahia (MP-BA), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às
Organizações Criminosas (Gaeco), que também determinou o bloqueio de
aproximadamente R$ 3,8 milhões distribuídos em 26 contas bancárias vinculadas
aos investigados.
As apurações tiveram início na Delegacia Territorial de
Belmonte e identificaram a atuação estruturada do grupo criminoso, com indícios
de envolvimento nos crimes de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e
associação criminosa, além da utilização de contas bancárias para movimentação
de recursos de origem ilícita.
De acordo com o delegado Evy Paternosto, diretor da
Diretoria Regional de Polícia do Interior Sul (DIRPIN/Sul), a operação
representa um avanço significativo no enfrentamento à criminalidade organizada
na região. “As investigações permitiram identificar o modo de atuação do grupo
e alcançar alvos relevantes da estrutura criminosa. As diligências continuam
para aprofundar a apuração, identificar outros envolvidos e fortalecer a
responsabilização penal de todos os integrantes”, destacou.
A Operação Vento Norte contou com a participação de cerca de
70 policiais civis da 23ª Coorpin, equipes do Gaeco, além de equipes que
atuaram no cumprimento das medidas judiciais nos estados de Minas Gerais, Rio
de Janeiro e Espírito Santo.
Nota da defesa do vereador Paulo Chiclete:
O peso de R$ 26 milhões e o cenário envolvendo o presidente
da Câmara de Guaratinga
A recente operação que atingiu o presidente da Câmara de
Vereadores de Guaratinga, Paulo Chiclete, levanta questionamentos que vão além
do que foi apresentado até o momento. Em meio às investigações, a defesa do
parlamentar afirma, com firmeza, que ele é inocente e está à total disposição
da Justiça para prestar todos os esclarecimentos necessários.
O caso ocorre em um momento sensível para o município: a
chegada de uma precatória milionária, com valores que ultrapassam R$ 26 milhões
já nesta primeira etapa. O montante, que exige decisões importantes sobre
aplicação e fiscalização, passou a ser tema central no cenário político local,
e é justamente nesse contexto que surgem indagações inevitáveis: qual é o peso
de uma precatória desse porte?
Antes mesmo da liberação dos recursos, Paulo Chiclete já
havia se posicionado publicamente pela necessidade de que qualquer movimentação
fosse acompanhada pela Câmara Municipal, reforçando o papel constitucional de
fiscalização do Legislativo. Agora, com o presidente afastado de suas funções
em meio a uma investigação, aliados apontam preocupação com possíveis impactos
no equilíbrio das decisões que envolvem esses recursos.
A defesa do parlamentar destaca que Paulo Chiclete não
possui qualquer envolvimento com atividades ilícitas e que sua trajetória
pública é marcada pelo compromisso com a população de Guaratinga. Filho de uma
professora conhecida na cidade e integrante de uma família de princípios
cristãos, ele sempre manteve uma atuação pautada pelo respeito às instituições.
A defesa ressalta ainda que, até o momento, não teve acesso
integral aos documentos que fundamentaram as medidas adotadas, incluindo a
busca e apreensão e a detenção, o que reforça a necessidade de cautela e
responsabilidade na análise do caso.
Diante do cenário, cresce o debate sobre o momento em que a
operação ocorre. Sem antecipar conclusões, a defesa reforça a importância de
que os fatos sejam apurados com responsabilidade, transparência e respeito ao
devido processo legal, evitando julgamentos precipitados.
“Paulo Chiclete está tranquilo, confiante e à disposição da
Justiça. A verdade será comprovada”, afirma a defesa.
Em meio a interesses e decisões que envolvem valores milionários, uma pergunta segue no centro da discussão em Guaratinga: qual é, afinal, o poder de uma precatória de mais de R$ 26 milhões?
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