A Polícia Federal deflagrou, na quinta-feira (9), a Operação Repasse, com o objetivo de cumprir mandados judiciais decorrentes de investigação relativa à mineração ilegal de ouro, no município de Santaluz, na Bahia.
A operação é um desdobramento das operações “Garça Dourada”,
“Serra Dourada” e “Lixiviação”, deflagradas em 6 de março de 2023, 17 de abril
de 2024 e 26 de agosto de 2024, respectivamente, quando se identificou que os
investigados, há anos, praticavam a extração ilegal de ouro na região de
Santaluz, tendo evoluído no crime para a construção de laboratórios, onde
recebem e refinam “rejeitos” de moagens executadas por garimpeiros ilegais,
através de processo químico industrial.
O ouro é extraído do “rejeito” através do procedimento da
lixiviação, com a utilização de grande quantidade de cianeto de sódio.
Observa-se que a utilização ilícita de cianeto de potássio ou cianeto de sódio,
substâncias altamente tóxicas e cuja compra e uso são controlados pelo
Ministério do Exército, pode causar grande impacto para a saúde humana e para o
meio ambiente local.
Segundo relatórios periciais recentes, o dano ambiental
causado pela rede criminosa investigada supera R$ 180 milhões. Na atual fase da
investigação, deflagrada para cumprir dois mandados de busca e apreensão no
município de Santaluz, visa-se a apreensão e remoção de bens identificados
(anteriormente sequestrados judicialmente), bem como a apreensão incidental de
outros bens.
Os investigados encontram-se indiciados pelos crimes de
usurpação de bens da União, associação criminosa, posse de artefatos
explosivos, extração ilegal de recursos minerais, uso/armazenamento ilícito de
substância tóxica, perigosa e nociva e lavagem de dinheiro. As penas, somadas,
podem chegar a 29 anos de reclusão.
