NOVA BAHIA

Especialista destaca avanço do SUS com novo exame para rastreamento do câncer colorretal

 


O anúncio do Ministério da Saúde sobre a incorporação do FIT (Teste Imunológico Fecal) ao Sistema Único de Saúde (SUS) representa um importante avanço nas estratégias de prevenção e rastreamento do câncer colorretal, um dos tumores mais frequentes e letais no país.

Segundo o médico endoscopista intervencionista Dr. Victor Galvão, a medida tem potencial para ampliar significativamente o acesso da população ao rastreamento e aumentar as chances de diagnóstico precoce da doença.

“Essa é uma notícia muito importante e deve ser vista como um avanço. Mas é fundamental entender que não se trata de um exame para pessoas que já apresentam sintomas. O FIT é uma estratégia de rastreamento, criada para identificar sinais indiretos da doença antes mesmo do aparecimento dos sintomas”, explica o especialista.

O câncer colorretal, também conhecido como câncer de intestino, costuma se desenvolver a partir de pólipos — pequenas lesões que surgem na parede interna do intestino e que, na maioria das vezes, não provocam sintomas.

“A grande maioria dos cânceres colorretais se origina de pólipos. Quando essas lesões são identificadas e removidas precocemente, conseguimos evitar que evoluam para câncer”, destaca Dr. Victor Galvão.

Como funciona o FIT

O FIT, sigla para Teste Imunológico Fecal, é um exame de fezes capaz de detectar pequenas quantidades de sangue oculto, invisíveis a olho nu.

“O exame procura identificar sangramentos microscópicos que podem estar associados a pólipos ou outras alterações intestinais. Sua principal vantagem é a simplicidade: não exige preparo intestinal, não requer dietas restritivas e é realizado apenas com uma amostra de fezes”, explica o médico.

Por ser menos invasivo e mais simples de realizar, o teste tende a aumentar a adesão da população aos programas de rastreamento.

“Uma das maiores dificuldades quando falamos em prevenção sempre foi tornar o rastreamento realmente acessível. O FIT ajuda justamente nesse processo, permitindo que mais pessoas entrem na linha de cuidado”, afirma.

FIT não substitui a colonoscopia

Apesar da novidade, o especialista ressalta que o FIT não substitui a colonoscopia, considerada o exame mais completo para avaliação do intestino.

“É importante que as pessoas entendam que um FIT positivo não significa diagnóstico de câncer. Ele é um exame de triagem. Quando o resultado apresenta alteração, o paciente deve ser encaminhado para uma colonoscopia, que é o exame capaz de visualizar o intestino por dentro e confirmar ou descartar a presença de pólipos ou tumores”, esclarece.

De acordo com o protocolo apresentado pelo Ministério da Saúde, o exame deverá ser destinado a pessoas sem sintomas, na faixa etária entre 50 e 75 anos. Em caso de resultado negativo, o teste deverá ser repetido periodicamente dentro do programa organizado de rastreamento. Já os pacientes com resultado positivo serão encaminhados para investigação complementar por meio da colonoscopia.

“O FIT seleciona melhor quem realmente precisa realizar a colonoscopia. Esse é um dos grandes benefícios da estratégia”, pontua.

Atenção aos sintomas

Embora o FIT seja destinado ao rastreamento em pessoas assintomáticas, Dr. Victor Galvão alerta para os sinais que exigem avaliação médica imediata.

“Presença de sangue nas fezes, mudança importante no funcionamento do intestino, diarreia ou prisão de ventre persistentes, anemia sem causa definida, perda de peso inexplicada e fraqueza são sintomas que merecem atenção. Sangramento intestinal nunca deve ser ignorado”, alerta.

Um passo importante para a saúde pública

Para o especialista, a incorporação do FIT ao SUS demonstra um movimento importante das políticas públicas brasileiras em direção à prevenção do câncer colorretal.

“O câncer de intestino começa a ocupar o espaço que precisa dentro das políticas públicas de saúde. Ainda existem desafios para garantir acesso amplo à população, mas a notícia é extremamente positiva. A prevenção continua sendo a melhor estratégia”, conclui.

Fonte: assessoria de imprensa

Postagem Anterior Próxima Postagem