Todos os detalhes sobre a construção da Ponte Salvador-Itaparica foram esclarecidos pelo secretário Mateus Dias nesta quarta-feira (5) em uma agenda especial no canteiro de São Roque do Paraguaçu, considerado “o coração industrial do projeto”. Também participou da visita técnica guiada para a imprensa, o engenheiro responsável pela obra, Francisco Miguel.
Com um investimento estimado em R$ 11,6 bilhões — dos quais
R$ 3 bilhões saem do caixa da União —, o governo federal deu início simbólico,
no início de julho, às obras da ponte que ligará Salvador à Ilha de Itaparica,
na Baía de Todos-os-Santos. A estrutura, que será a maior ligação sobre o mar
da América Latina com seus 12,4 quilômetros de extensão, tem previsão de
entrega em 2031 e exigirá um cronograma de cinco anos de construção. Executada
em regime de Parceria Público-Privada (PPP) por um consórcio liderado pelas
gigantes chinesas CCCC e CCECC, a megaponte demandará, em seu pico, cerca de 7
mil trabalhadores e exigirá soluções de engenharia de ponta, como uma
plataforma operacional sobre a água inédita no continente e mastros que
ultrapassarão os 200 metros de altura.
A magnitude do empreendimento, porém, não se mede apenas por seus números gigantescos. A nova rota promete encurtar em até duas horas o trajeto entre a capital e o sul do estado, e a expectativa oficial é que o projeto beneficie diretamente cerca de 10 milhões de pessoas em aproximadamente 250 municípios baianos — o que equivale a cerca de 70% da população do estado. Para além da mobilidade, a ponte é encarada como um vetor de desenvolvimento para o turismo, o escoamento da produção e a integração econômica do Recôncavo e do Baixo Sul. Nem mesmo o governo, contudo, ignora os riscos: ao lançar a obra, o presidente Lula fez um alerta contundente contra a especulação imobiliária na ilha, pedindo que o crescimento não desaloje os moradores tradicionais em nome do progresso.
