O preço da arroba do boi gordo chegou a R$ 380 nesta terça-feira (13), em Feira de Santana, estabelecendo um novo recorde em 2026 no acompanhamento da Cooperfeira. A cotação subiu R$ 10 em relação à semana anterior e acumula valorização de 11,76% desde o início de setembro, quando estava em R$ 340.
A recuperação ganhou força nas últimas semanas. Depois de um
período de estabilidade em agosto e no início de setembro, a arroba voltou a
subir, alcançou R$ 350, avançou para R$ 360 no encerramento do mês passado e
chegou a R$ 370 na primeira semana de outubro. Agora, com os R$ 380, confirma a
tendência de valorização que vinha sendo apontada pela Cooperfeira.
Para Agenor Campos, presidente do Frifeira e diretor da
Cooperfeira, o mercado regional apresenta atualmente preços mais próximos dos
praticados em outros estados produtores. No Pará, a arroba está em torno de R$
375 à vista, patamar semelhante ao observado em Goiás. Essa aproximação
representa uma mudança importante para a Bahia, que historicamente apresenta
cotações inferiores às de outras regiões pecuárias do país.
Agenor observa, entretanto, que ainda existem diferenças
dentro do próprio estado, principalmente em regiões mais distantes dos centros
consumidores, onde os custos de transporte interferem na comercialização.
Abates aumentam e carne tem saída rápida
Além da valorização da arroba, o desempenho do Frigorífico
Frifeira, localizado no distrito de Humildes, também demonstra a movimentação
do mercado.
A unidade vem registrando entre 500 e 530 bovinos abatidos
por dia, superando a média recente de aproximadamente 450 animais. O aumento
acompanha uma demanda considerada forte pela carne bovina.
Outro indicador destacado por Agenor é a velocidade de
comercialização. A carne produzida tem sido retirada pelos compradores após o
período obrigatório de refrigeração, sem formação significativa de estoques.
Nesta terça-feira, por exemplo, seis das nove câmaras
frigoríficas do Frifeira amanheceram vazias, depois da retirada da produção
anterior. Para o dirigente, o movimento demonstra que a demanda permanece
aquecida, mesmo com a valorização do boi.
Arroba pode alcançar R$ 400 até dezembro
A avaliação da Cooperfeira é de que ainda existe espaço para
novas valorizações, especialmente diante da menor disponibilidade de animais
terminados com o avanço da entressafra e da manutenção da demanda.
Agenor considera possível que a arroba alcance R$ 400 até
dezembro, embora ressalte que a evolução dos preços dependerá das condições do
mercado nas próximas semanas.
Para atingir esse patamar, seria necessária uma valorização
adicional de R$ 20, equivalente a 5,26% sobre a cotação atual.
A perspectiva é favorável, mas não significa que os
reajustes continuarão ocorrendo semanalmente ou na mesma intensidade.
Alta pode chegar aos açougues
A valorização também começa a provocar preocupações sobre
possíveis reflexos nos preços da carne ao consumidor.
Segundo Agenor, o aumento da arroba de R$ 340 para R$ 380
ainda não foi integralmente repassado ao varejo. A expectativa é de que parte
dessa diferença possa aparecer nos preços praticados pelos açougues nas
próximas semanas.
Ele observa que, em períodos anteriores de queda da arroba,
a redução nem sempre chegou ao consumidor na mesma proporção. O comportamento
dos preços no varejo será, portanto, outro ponto de atenção.
Com a arroba em R$ 380, os abates acima da média recente e a
carne encontrando compradores, o mercado regional mantém uma perspectiva de
firmeza. O desafio será acompanhar até que ponto a demanda conseguirá sustentar
novas valorizações, sem comprometer o consumo.
Os valores divulgados pela Cooperfeira são baseados em informações repassadas por compradores que realizam abate no Frifeira e servem como referência para o mercado regional, podendo oscilar conforme a movimentação diária.
