A arroba do boi gordo chegou a R$ 350 na região de Feira de Santana, segundo levantamento da Cooperfeira, consolidando uma sequência de alta nas últimas três semanas. O valor representa o maior patamar do ano e supera as cotações registradas no mesmo período de 2025.
A trajetória de valorização começou em janeiro, quando a
arroba girava entre R$ 310 e R$ 315, avançou para a faixa de R$ 320 a R$ 330 em
fevereiro, fechou o mês a R$ 340 e agora alcança R$ 350, acumulando forte
valorização no primeiro trimestre.
O principal fator é a escassez de animais prontos para
abate. As chuvas que vêm atingindo praticamente todas as regiões da Bahia
reduziram a oferta imediata. O produtor prefere manter o boi no pasto para
ganho de peso, após meses de estiagem. Além disso, já há registros de
dificuldade de acesso às propriedades rurais, com estradas enlameadas e risco
de caminhões ficarem atolados, o que limita a retirada dos animais e interfere
diretamente na formação da oferta.
No Frifeira, frigorífico do grupo Cooperfeira, o volume de
abate, que na semana passada havia caído cerca de 160 animais por dia, voltou
ao patamar médio de aproximadamente 500 cabeças neste início de semana. A
regularização, no entanto, não indica aumento da oferta local. Parte do gado
abatido foi adquirida fora do estado, no Centro-Oeste, para garantir a escala.
De modo geral, frigoríficos estão trabalhando com escalas de
abate reduzidas, muitas vezes inferiores a seis dias, o que confirma a
dificuldade em encontrar lotes disponíveis no mercado físico. Quem tem boi
pronto encontra comprador imediato, ampliando o poder de barganha do
pecuarista.
A alta do boi gordo na Bahia acompanha movimento nacional,
impulsionado pela oferta restrita pelas chuvas e pela demanda externa aquecida.
Os valores divulgados pela Cooperfeira são baseados em informações repassadas por compradores que realizam abate no Frifeira e servem como referência de mercado, podendo oscilar conforme a movimentação diária.
