A defesa da liberdade religiosa como expressão da dignidade humana marcou a participação do arcebispo metropolitano de Feira de Santana, Dom Zanoni Demettino Castro, no I Simpósio de Liberdade Religiosa, realizado em Feira de Santana, no domingo (12), com lideranças religiosas de diferentes credos, autoridades e representantes da sociedade civil em torno do diálogo inter-religioso.
O evento, promovido pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos
dos Últimos Dias, em parceria com a J. Reuben Clark Law Society, teve como tema
central “Liberdade Religiosa como Direito Humano Fundamental”, proporcionando
uma reflexão sobre o respeito às crenças, a convivência pacífica e o papel das
religiões na construção de uma sociedade mais justa e pacífica.
Em sua fala, Dom Zanoni destacou que a liberdade religiosa
está entre os pilares mais profundos dos direitos humanos, enquanto um direito
natural de cada indivíduo, que deve ser resguardado também no âmbito civil. “A
liberdade religiosa consiste essencialmente em uma imunidade de coação. Ninguém
pode ser forçado a agir contra a própria consciência, nem impedido de agir
segundo ela”, afirmou.
Ainda na oportunidade, o arcebispo ressaltou que a fé, por
sua própria natureza, exige liberdade. “Não se pode impor a adesão a Deus. A
resposta ao mistério divino só pode ser autêntica quando nasce da liberdade
interior da pessoa”, sublinhou, ao destacar que qualquer forma de imposição
contradiz tanto os direitos humanos quanto a própria essência da experiência
religiosa.
Outro ponto abordado foi a dimensão comunitária da liberdade
de culto. Dom Zanoni lembrou que não apenas os indivíduos, mas também as
comunidades religiosas possuem direitos, como o de celebrar publicamente sua
fé, formar ministros e contribuir para a vida social.
Ao tratar do papel do Estado, o arcebispo foi enfático ao
afirmar que cabe ao poder público garantir e proteger a liberdade religiosa,
assegurando igualdade jurídica e impedindo qualquer forma de discriminação. “O
Estado ultrapassa sua competência quando pretende impor práticas religiosas ou
impedir sua expressão legítima”, pontuou.
Dom Zanoni ainda chamou atenção para os desafios do mundo
atual, marcado pela diversidade e, ao mesmo tempo, por tensões. Para ele, o
caminho passa pela educação para o respeito, pelo diálogo e pelo reconhecimento
do outro como alguém que também busca sentido para a vida. “As religiões são
chamadas a serem promotoras da fraternidade. Quando vividas em sua
autenticidade, contribuem para a paz, a justiça e o cuidado com a vida”,
completou.
Ao concluir, o arcebispo definiu a liberdade religiosa como “o oxigênio dos demais direitos humanos”, destacando que sua garantia favorece o desenvolvimento integral da pessoa e dos povos. Deste modo, a Igreja de Feira de Santana reforça a importância de iniciativas desta natureza, assegurando o seu compromisso com o diálogo inter-religioso e a defesa da liberdade religiosa como direito essencial.
