REGIONAIS BAHIA 2025.2

Morre aos 70anos, ex-jogador do Fluminense de Feira, Biribinha

Foto: Divulgação/Arquivo/Zadir Marques Porto

Morreu nesta sexta-feira (9) Gilmar Luís de Santana, o Biribinha, aos 70 anos, em Feira de Santana. Dono de uma trajetória tão talentosa quanto incomum, o ex-jogador faleceu em sua residência, no bairro da Rua Nova, em decorrência de complicações relacionadas à diabetes. O velório acontece no Centro de Velório Gilson Macedo, com sepultamento previsto para o Cemitério da Piedade.

Nascido no Recife e criado em Feira de Santana, Biribinha construiu sua identidade futebolística nos campos de terra da cidade, onde logo se destacou pela habilidade refinada, velocidade e drible desconcertante. Canhoto e irreverente, ganhou o apelido pela semelhança com o ponta Biriba, do Bahia, mas rapidamente se tornou figura única, reconhecida pela criatividade e pela forma livre de encarar o futebol. 

Ainda jovem, passou pelas categorias de base de grandes clubes do país e viveu um dos períodos mais marcantes da carreira no Vasco da Gama. Em São Januário, integrou uma geração histórica e foi tricampeão carioca juvenil entre 1972 e 1974, atuando ao lado de Roberto Dinamite e outros nomes que mais tarde se consolidariam no cenário nacional. O talento em campo, no entanto, contrastava com um perfil indisciplinado e avesso às amarras do futebol profissional, o que acabou abreviando sua permanência no clube.

De volta à Bahia, Biribinha defendeu o Fluminense de Feira, onde voltou a encantar o público com atuações memoráveis. Em amistosos e partidas de destaque, reafirmou a fama de driblador imprevisível, despertando interesse de grandes clubes do eixo Rio-São Paulo. Algumas oportunidades, porém, não se concretizaram, resultado de escolhas pessoais e de um modo de vida que sempre priorizou a liberdade em detrimento da estabilidade financeira.

A carreira seguiu por caminhos pouco convencionais. Biribinha viveu um período afastado do futebol profissional ao se integrar ao convívio do grupo Novos Baianos, relação que extrapolou o esporte e o aproximou da música e da contracultura. A amizade com Pepeu Gomes rendeu a homenagem eternizada na canção "Biribinha nos States", símbolo de uma trajetória marcada pela autenticidade.

No exterior, atuou por clubes dos Estados Unidos, México e Chile, onde encerrou a carreira como jogador e ainda ensaiou os primeiros passos como treinador. Mesmo após graves problemas de saúde e amputações nos membros inferiores, manteve o espírito leve, o humor afiado e a filosofia de vida desapegada que sempre o caracterizaram.

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