Morreu nesta sexta-feira (9) Gilmar Luís de Santana, o Biribinha, aos 70 anos, em Feira de Santana. Dono de uma trajetória tão talentosa quanto incomum, o ex-jogador faleceu em sua residência, no bairro da Rua Nova, em decorrência de complicações relacionadas à diabetes. O velório acontece no Centro de Velório Gilson Macedo, com sepultamento previsto para o Cemitério da Piedade.
Nascido no Recife e criado em Feira de Santana, Biribinha
construiu sua identidade futebolística nos campos de terra da cidade, onde logo
se destacou pela habilidade refinada, velocidade e drible desconcertante.
Canhoto e irreverente, ganhou o apelido pela semelhança com o ponta Biriba, do
Bahia, mas rapidamente se tornou figura única, reconhecida pela criatividade e
pela forma livre de encarar o futebol.
Ainda jovem, passou pelas categorias de base de grandes
clubes do país e viveu um dos períodos mais marcantes da carreira no Vasco da
Gama. Em São Januário, integrou uma geração histórica e foi tricampeão carioca
juvenil entre 1972 e 1974, atuando ao lado de Roberto Dinamite e outros nomes
que mais tarde se consolidariam no cenário nacional. O talento em campo, no
entanto, contrastava com um perfil indisciplinado e avesso às amarras do
futebol profissional, o que acabou abreviando sua permanência no clube.
De volta à Bahia, Biribinha defendeu o Fluminense de Feira,
onde voltou a encantar o público com atuações memoráveis. Em amistosos e
partidas de destaque, reafirmou a fama de driblador imprevisível, despertando
interesse de grandes clubes do eixo Rio-São Paulo. Algumas oportunidades,
porém, não se concretizaram, resultado de escolhas pessoais e de um modo de
vida que sempre priorizou a liberdade em detrimento da estabilidade financeira.
A carreira seguiu por caminhos pouco convencionais.
Biribinha viveu um período afastado do futebol profissional ao se integrar ao
convívio do grupo Novos Baianos, relação que extrapolou o esporte e o aproximou
da música e da contracultura. A amizade com Pepeu Gomes rendeu a homenagem
eternizada na canção "Biribinha nos States", símbolo de uma
trajetória marcada pela autenticidade.
No exterior, atuou por clubes dos Estados Unidos, México e Chile, onde encerrou a carreira como jogador e ainda ensaiou os primeiros passos como treinador. Mesmo após graves problemas de saúde e amputações nos membros inferiores, manteve o espírito leve, o humor afiado e a filosofia de vida desapegada que sempre o caracterizaram.
